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THURSTON MOORE / GABRIEL FERRANDINI / PEDRO SOUSA // Live at ZDB (LP)

€19.50


 

THURSTON MOORE . electric guitar
GABRIEL FERRANDINI . drums, percussion
PEDRO SOUSA . tenor and baritone saxophones, electronics

SIDE A
A1

SIDE B
B1
B2

 


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Product Description

It was an inevitability: free rock and free jazz would cross ways someday, just because the “free” factor is universal and unifying and, after all, rock and jazz are branches of the same tree, blues. Now, several examples can be found everywhere, but this one in particular is very special: two youngsters known in Portugal (and already abroad) for their “in-your-face” approach to both free rock and free jazz join forces with an icon, and a pioneer, of freedom in music. Saxophonist Pedro Sousa and drummer Gabriel Ferrandini, respectively members of the projects Pão and Eitr, and of Red Trio and Motion Trio, meet no-one less than Thurston Moore, founder of the legendary Sonic Youth and presently mentor of Chelsea Light Moving, when he’s not involved in some improvised, experimental act.

This LP was recorded live in Lisbon and has all the fire of a concert situation and of a first encounter. Just before the performance, Thurston, Pedro and Gabriel decided to play soft, focusing on the details. Well, they start the recording like that, indeed, but the temptation was stronger than themselves: soon the music gets tenser, denser, heavy and punchy. Sousa goes through some really weird overblowing phrasings, like Mats Gustafsson with a headache, Ferrandini seems to have four arms and four legs, seeming a Paal Nilssen-Love / Roger Turner percussive orgy, and Moore dives in a maddening distortion/feedback world of pure electricity. When it all stops, the audience jumps and screams, as if they’re survivors of a firing-squad.

Limited edition 300 copies

1 review for THURSTON MOORE / GABRIEL FERRANDINI / PEDRO SOUSA // Live at ZDB (LP)

  1. :

    Desde 2011 que Thurston Moore passa boa parte do seu Verão no papel de professor na Universidade Naropa, em Boulder, Colorado, leccionando a cadeira Machine Boys Are Electronic, dedicada ao estudo e à análise da influência de William Burroughs na criação musical. Um experimentalista a escalpelizar outro. Um fabricante de tangentes entre cultura popular e radicalismo artístico a olhar-se ao espelho através de uma obra alheia. De facto, Moore é um seguidor de Burroughs, assim como os Sonic Youth foram os filhos bem-sucedidos dos Velvet Underground, com uma espantosa longevidade para uma banda de rock no fio da navalha e uma taxa de penetração na cultura popular que em muito raras situações pode ser saudavelmente compatível com as mais venturosas experiências musicais.
    Esta capacidade de abarcar num mesmo gesto (como o fez ao longo dos muitos anos com os Sonic Youth) composições de John Cage e canções de Madonna é uma coordenada constante no percurso de Thurston Moore, acabado de anunciar a formação de uma nova banda com Steve Shelley e a baixista dos My Bloody Valentine, Debbie Googe, provavelmente para interpretar ao vivo o material do álbum The Best Day, a sair no Outono – ao mesmo tempo que revelava a edição de uma cassete intitulada Sun Gift Earth, homenagem ao jazz saturniano de Sun Ra neste ano do centenário da sua chegada à Terra. A presente digressão europeia é já suficientemente reveladora da sua imensa largueza de registos. Se na próxima quinta-feira, dia 21, vamos encontrá-lo no palco de Paredes de Coura provavelmente na companhia de uma banda mais apegada ao rock, há duas semanas começou por tocar em duo com o guitarrista Caspar Brötzmann no londrino Café Oto, magnífico pardieiro da música improvisada. Mas não vale a pena apostar em certezas: em 1998, no Sudoeste, os Sonic Youth deram um magnífico concerto, mas de tal forma alienígena no contexto de festival e tão desligado da ideia de actuação para massas que não faltou quem visse nisso uma gritante forma de desprezo pelo público. Até mesmo quando há planos é natural que Thurston Moore não se esforce especialmente por cumpri-los. Em Outubro de 2012, fruto de uma residência na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, Moore havia de juntar-se, a seu pedido, a dois músicos nacionais propostos pelo programador da ZDB Sérgio Hydalgo: Gabriel Ferrandini (RED Trio, Rodrigo Amado Motion Trio) na bateria e Pedro Sousa (Pão) no saxofone. Após um soundcheck que serviu como único ensaio e sumária leitura do que cada um poderia esperar dos outros dois, pouco se falou de música no jantar que antecedeu o concerto. “Adorei as partes calmas do soundcheck, vamos tocar baixinho, vai ser muito bonito”, lembra-se o saxofonista de ouvir da boca de Moore como declaração de intenções. Só que ao fim de dois minutos do concerto, editado agora em vinil pela portuguesa Shhpuma (Live at ZdB), Moore foi o primeiro a desertar desse plano original. “Foi até ao amplificador, aumentou o volume e começou logo a rasgar”, diz Ferrandini. “Nós pensámos que podia ir para várias direcções, mas acabou por ser um concerto rock’n’roll free, porque estava uma energia incrível na sala, com casa cheia, e era óbvio que teria de acabar por ser uma cena muito enérgica.” “A nossa maior surpresa foi essa: ser um concerto bastante focado, sempre muito intenso”, retoma o baterista. “Não nos metemos com muitas ideias nem atirámos muita coisa para cima da mesa. Esprememos o sumo de poucas ideias.” Os poucos momentos de calmaria (rapidamente descartados) aparecem assim como uma subida à tona em busca de oxigénio, para logo se investir em nova démarche exploratória, numa desbragada demanda free rock noise. Pedro Sousa, que esperava “algo mais cerebral”, viu-se a ter de responder a uma intensidade sem descanso que traria o lado de rock torcido de Moore para a frente, potenciado pela bateria impetuosa de
    Ferrandini. “O Thurston toca de uma maneira muito mais sinuosa do que eu esperava”, revela Sousa. “Parecia uma cobra, foi incrível. Tem todo um historial de rock old school que se sente na maneira de tocar.”
    Conhecedores da obra de Thurston Moore mas possivelmente mais sintonizados com as colaborações no âmbito da música improvisada, ao lado de Mats Gustafsson e Paal Nilssen-Love (referência maior para Ferrandini) no grupo Original Silence, com Chris Corsano ou os Diskaholics Anonymous, Sousa e Ferrandini não subiram a palco numa posição embevecida de acólitos, embora confessem nunca ter perdido a noção do privilégio de subir a palco com um músico cuja marca na música popular dos séculos XX e XXI está inscrita com a subtileza de um feedback. “Era uma daquelas raras situações de poder tocar rock’n’roll com um rockeiro americano a sério, que vem mesmo daquela escola de pensamento, de som e de textura”, lembra o baterista. Para Ferrandini, o mais elevado estado de consciência de estar a tocar com uma figura daquela dimensão foi menos uma inibição do que um motivo de segurança – “Lembro-me de pensar: este tipo é incrível, posso fazer tudo o que quiser que ele já estará lá à frente à minha espera.” Live at ZdB é um excelente documento dessa atitude destemida a três, impulsionada pelo vigor de uma primeira partilha do palco, quando não há ainda um código de respostas em vigor.
    Por isso mesmo, defende Sousa, “neste tipo de encontro seria muito errado ficar demasiado à defesa”. Assim, diante do desconhecido, a única saída era mesmo avançar, aos tropeções que fosse. Essa mesma postura é identificada pelo saxofonista no concerto de Moore com a contrabaixista portuguesa Margarida Garcia, em 2013, também na ZDB, editado há alguns meses pela Headlights como The Rust Within Their Throats. “Vi aquilo do backstage e foi muito mágico, já estava noutro planeta”, comenta. E, de facto, a guitarra de Moore parecia passear por zonas sombrias cada vez mais sugadas por uma ideia de sublimação final. O que é certo para os
    dois músicos é que a tal qualidade reptiliana de Thurston Moore está sempre presente. E tanto pode descambar em rock como em noise ou na vizinhança de canções. “Ele quer é tocar – com rockers numa noite, minimalistas na outra, pessoal da canção a seguir”, confirma Ferrandini.

    in: Público by Gonçalo Frota

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    Survival Records, October Revolution in Jazz, Tzadik and The Stone, Studio Rivbea, Jazz Composers Guild, El Saturn Records, Company Week and Incus, Mopomoso, Debut Records; there is a well established precedent of Free music practitioners having to create their own opportunities for exposure. Thurston Moore offers an alternative to this template. Sure, he has established his own record label, and helped curate concert series and festivals. But where his contribution really differs is in the profile he has within mainstream culture, and the manner in which that platform has been used to espouse the merits of what interests and informs him. A staunch champion of Free music, Moore once claimed to be interested in “playing with anyone” which has lead to countless ad hoc groupings with less-than-household names (as well as many of the cream of the current Free Improvisers). In addition to which, many of his recordings have been issued by small independent labels, affording them increased visibility often outside of their usual demographic.

    With the release of this live set recorded in Lisbon, Moore has killed both these birds with one stone. Saxophonist Pedro Sousa (Pão) and drummer Gabriel Ferrandini (Red Trio) have been rightly lauded on these pages, and whilst their names are not entirely unfamiliar, this release affords them both individual attention and an opportunity to step out from behind the relative anonymity of their band’s names. Similarly, fledgling Portugese label Shhpuma, baby brother to the excellent Clean Feed, now has its own turn in the sun.

    According to the label’s promotional spiel, during pre-gig discussion the trio had agreed they would “play soft, focusing on the details”. They do not keep to this plan for long. Ferrandini and Sousa are straining at the leash almost from the off, the saxophonist’s overblown textures keening to erupt, the drums verge on bubbling over, seemingly trying to goad the guitarist into following. Moore, so often the noisenik in these situations, is the coolest head, playing the long game like an old master. He keeps pace as the others race ahead without being fully drawn into the fray, calming the initial impetuousness with languid feedback lines. In so doing, part of the game plan remains intact and textural ‘detail’ becomes the foundation, albeit roughly hewn rather than ‘soft’.

    Texture is Moore’s stock in trade and the grumbling low-end smears of Sousa’s tenor and baritone work well in this context, furthered by the gritty electronics he deploys which often shadow or add surface detail to the contorted guitar lines. Ferrandini interjects serrated accents amid his propulsive percussion, often coalescing around the more knotted clamour as inertia pulls inextricably toward the red. The trio play with this sense of tension for the duration of the set, on countless occasions the heat their momentum generates seems certain to fully ignite and finally submit to its incendiary potential. However, even at its most scorched it feels like a controlled burn, with a large depth of field to the dynamics.

    This inaugural encounter smoulders with potential and suggests more to come should the trio ever be reprised. Moore is on a fine run of form at the moment, as this blog will attest. Long may it continue

    in: Free Jazz by Matthew Grigg

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    Por estes dias, Lisboa já é uma das cidades no mapa de Thurston Moore. O fim, quase silencioso, dos Sonic Youth fez com que os seus membros se fragmentassem por discos, colaborações e geografias várias, e na nossa capital temos tido a sorte da Zé Dos Bois ter conseguido aglutinar algumas dessas peças. Thurston Moore, uma das visitas mais regulares, ofereceu, em 2012, um concerto na celebração dos 18 anos da associação, fruto de uma pequena residência. A liberdade do rock, de quem Moore tem sido também um esteta tímido mas activo, encontrou-se com a energia atómica da bateria de Gabriel Ferrandini e a invenções patenteadas dos sopros de Pedro Sousa. Ao primeiro take, claro, saiu este “Live At ZDB”, como testemunho do encontro e da generosidade dos músicos – para quem assistiu ao vivo e para com eles próprios. Entre a procura dos detalhes e o voo livre assistido do jazz, furioso e aventureiro, este é um documento (limitado a 300 cópias) importante para todos – incluindo a Shhpuma, naturalmente -, mas é um documento muito importante para nós, pelo modo como nos empurra para coisas, todas elas boas e positivas.

    in: Flur by Pedro Santos

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    Thruston Moore, Pedro Sousa, Gabriel Ferrandini – “Live at ZDB” / Com Thurston Moore (guitarra elétrica), Pedro Sousa (saxofones baritono e tenor, eletrónica), Gabriel Ferrandini (bateria, percussão). Inevitável: free rock e free jazz a cruzarem-se num caminho, pois o conceito “free” é universal e unificador e, como bem sabemos, rock e jazz são ramos de uma mesma árvore blues. Vários exemplos podem ser encontrados, mas este é muito especial: dois jovens conhecidos em Portugal (e já no exterior) pelas suas abordagens no free rock e free jazz unem forças com um dos pioneiros e ícone da liberdade musical. Pedro Sousa e Gabriel Ferrandini, respectivamente membros dos projetos Pão e Eitr e do Trio Red and Motion Trio, juntam-se com Thurston Moore, fundador dos lendários Sonic Youth e atualmente mentor Chelsea Light Moving. Este LP foi gravado ao vivo, em Lisboa, e é o resultado de uma soma eletrizante de três interpretes que levam o conceito “free” muito mais além do imaginável, com as sensações “live” bem gravadas. A ter de conhecer.

    in: Mutante Magazine by Sara Quaresma Capitão

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