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JOANA SÁ // In Praise of Disorder

€8.90


 

Joana Sá  . semi prepared piano, bells and sirens installation, toy piano, noise boxes & mini amps, harmonium, flexible tubes
Rosinda Costa . voice

1 .  Overture
2 . Hierarchy of Insanity
3 . Weakness of solids
4 . All that is light has a dark part (Lullaby)
5 . Praise of disorder
6 . Reality, imagination (a method not to go insane)
7 . The elegant fall

 


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Product Description

There is something of a skeptical respect between the arts; a respect for the work of another over matter one does not master. Composers tend to see and read the world as if they were listening. In Through This Looking Glass (2010), Joana Sá had us reading some of the texts that belong to her world of sounds and to a performance Daniel Costa Neves translated into images – texts and images that baptize the exploration of an enormous musical freedom . Always in search of the liberation, the energy and the surprise of a gesture in sound, In Praise of Disorder is more rigid in form, doing away with image and giving voice to texts by Gonçalo M. Tavares. The speech organizes the thoughts that filter the multiple, disorderly, eccentric, voluble mind. The music is the Praise of Disorder that goes on in our heads, fit to give us back (awkwardly, at times painfully) not only the multiplicity of ideas, images, sounds and even voids, but mostly their simultaneity. That is why Joana Sá, through techniques that once belonged solely to studio settings in concert, uses the recording to put the listener in the place of the pianist, of the composer and of Rosinda Costa, watching, reading and speaking.

Guilherme Proença

1 review for JOANA SÁ // In Praise of Disorder

  1. :

    I like those young pianists who really go in new directions. So is Portuguese Joana Sá, and not only has she studied the piano at various schools in Portugal, and not only is she enrolled in a doctoral programme on music, she is not a technician on her instrument, or a high-brow theoretician, no, she is a musician with a voice, one that goes beyond her instrument, with lights and visuals and words and sound collages adding dimensions to her rich piano-playing, that is beyond genre, but abundant, evocating the theme of this piece of art, Elogia Da Desordem, or In Praise of Disorder, reflecting the chaos in our brains, the non-stop eruption of images, feelings, thoughts, sounds maybe, fragments of memories and maybe even moments of quietness, and also the demons that haunt you in the background. Is this neuromusic? I’m not sure, but it is really worthwhile listening to. And yes, it is not a “real” solo piano album, as there are passages of poetry recited by Rosinda Costa, well done and kept to the minimum that this reviewer still finds acceptable. This is music with character and vision.

    in: Free Jazz by Stef Gissels

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    No panorama musical português contemporâneo a obra de Joana Sá, pianista, improvisadora e compositora, constitui um dos exemplos mais originais de junção de várias estéticas, sendo o seu percurso um dos mais singularmente coerentes. O seu último projecto,“Elogio da Desordem”, um monólogo construído a partir de vários textos de Gonçalo M. Tavares, para piano semi-preparado, instalação de campainhas e sirenes, voz, toy piano, caixas de ruído, mini amplificação, tubos flexíveis e harmónio, foi já apresentado várias vezes em Lisboa, no Centro Cultural de Belém durante o Festival Música Viva 2011 (estreia absoluta) e no passado dia 4 de Outubro no Teatro Maria Matos – uma versão estendida com projeções vídeo da autoria de Daniel Costa Neves e Pedro Diniz Reis. Recentemente esta peça foi também publicada em CD numa edição “artesanal” da Shhpuma Records / Trem Azul.
    Ultimamente Joana Sá tem-se dado a conhecer aos públicos portugueses e internacionais através de projectos a solo, como “through this looking glass” inspirado no imaginário de Lewis Carroll, ou em duo com Luís José Martins (um dos seus parceiros no PowerTrio) no projecto “Almost a Song”, também editado pela Shhpuma Records, em que a atitude musical vanguardista dos intérpretes se junta à intenção de “agradar ao ouvido”. Talvez seja esta afirmação a chave para a compreensão do sucesso artístico e da estética de Joana Sá. Muitas das influências que lhe podemos atribuir, digamos do experimentalismo de John Cage até à estética do chamado “pop alternativo” de Björk, quando filtradas pelo seu temperamento criativo, ganham uma voz inconfundível em que a abstracção da música vanguardista atinge uma dimensão muito pessoal e “humana”.
    “Elogio da Desordem” é uma obra de cerca de 45 minutos que se desenvolve em 7 partes: “Abertura”; “Hierarquia da loucura”; “Fraqueza dos sólidos”; “Tudo o que é claro tem uma parte escura (canção de embalar)”; “Elogio da desordem”; “Realidade, imaginação – (método para não ficar louco)”; e “A queda elegante”. Os excertos de textos de Gonçalo M. Tavares, interpretados por Rosinda Costa, provêm de várias obras deste autor escritas entre 2009 e 2013 (“animalescos”, “O Senhor Swedenborg e as investigações geométricas” e “Uma viagem à Índia”). A sua organização numa espécie de narrativa define a rigidez formal da música e constitui o ponto de partida para este monólogo sonoro, cuja força se contém na ambiguidade e na incapacidade de dar respostas óbvias e vulgares.
    Certamente, o papel central neste triálogo, texto – música – vídeo, pertence à pianista que sozinha no palco, contudo, rodeada por diversos emissores de som construídos por Luís José Martins (campainhas e sirenes) e André Castro (caixas de ruído), desenrola perante o público o seu monólogo, cujos gestos sonoros interpretam, deformam, filtram ou enfatizam o que nos diz Gonçalo M. Tavares: “Está um louco ao piano e toca como um pianista amestrado, dão-lhe medicamentos de tempos a tempos, pois o bicho pianista é muito violento…”. O imaginário sonoro de Joana Sá é composto por contrastes – por um lado encontramos aqui momentos concentrados, contidos, efémeros, quase “líquidos”, como se fossem reminiscências do ciclo das “Sonatas e interlúdios” para piano preparado de John Cage ou da sua ingénua “Suite for Toy Piano”. Por outro lado há instantes, como a 5ª parte (aliás, a titular, “Elogio da desordem”), em que a energia se liberta através da repetição obsessiva de ritmos, gestos abruptos, clusters, ruídos, sons de campainhas e sirenes, acumulando-se num género de dança desequilibrada, numa apoteose da desordem e loucura. 
O que é particularmente relevante na linguagem de Joana Sá é a junção de várias componentes que contribuem para a criação de um universo sonoro coerente e penetrante – do piano semi-preparado, em que a pianista adapta a técnica de colocar imãs nas cordas do instrumento, introduzida pela primeira vez pela compositora e intérprete brasileira, Michelle Agnès; do carácter “defeituoso” e noise da electrónica realizada por Hélder Nelson; e das já mencionadas instalações de campainhas, sirenes e caixas de ruído – uma espécie de “música primitiva”. Todos estes ingredientes tornam o “Elogio da Desordem” excepcionalmente rico ao nível sonoro, e fazem com que é possível rever, reler e reouvi-lo de vários pontos de vista, especialmente quando temos em consideração os textos e a componente visual. No espectáculo, esta última, conjuga particularmente bem com a camada musical pelo seu carácter abstracto e monocromático, e pelas geometrias que parecem ser rastos de uma realidade sombria da época pós-vídeo.
    O novo projecto de Joana Sá é uma espécie de manual artístico, em que a desordem nos é apresentada nas suas várias facetas, seja ela mental, espiritual ou física. O seu sucesso artístico reside certamente na capacidade de transmitir “subcutaneamente” as emoções e ideias no limiar da sua definição, de se mover entre o abstracto e o concreto, através da simultaneidade do texto, da música e do vídeo. Do ponto de vista mais simbólico o “Elógio da Desordem” parece tratar da liberdade artística na sua oposição às restrições sociais, culturais e estéticas, ou simplesmente ao senso comum preponderante que limita a criatividade. Talvez os trechos da música mais contidos e efémeros, em oposição à já referida dança violenta e apoteótica da loucura, constituam uma (não)expressão das ideias sombrias e emoções intensas que, numa reacção de introversão, nunca chegam a concretizar o seu esplendor na luz do dia. “Nele, no louco, encontraram a posição certa entre a medicação e o mundo para que cá para fora não saia raiva nem violência nem desordem nem desacerto, mas simplesmente o dó ré mi, o que é excelente.”

    in: Mic by Jakub Szczypa

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    Die wundervolle, so geheimnisvoll wie abstrakte Musik, die Joana Sá auf ziemlich schwer zugänglichen Alben wie Through The Looking Glass, eine sehr freie Adaption Lewis Carrolls, mit Reverenzen an Robert Schumann und Literaten der Moderne, oder Almost A Song, mit dem Gitarristen Luís José Martins dem geneigten Zuhörer bescherte, findet auf dem aktuellen – Elogio Da Desordem – seinen, mit Sicherheit nur vorläufigen, Höhepunkt an mysteriöser Verzauberung. Die Adaption/Kombination/Einbettung diverser Texte des momentan wohl interessantesten literarischen Allrounders Lusitaniens Gonçalo M. Tavares – Rosinda Costa zitiert Fragmente aus animalescos, o senhor Swedenborg, investigações geométricas, um viagem à ´India – in die spröden Pianokompositionen üben eine unwiderstehliche Faszination aus. Sá erforscht das semi-präpariertes Klavier auf der Suche nach dem idealen Klang zwischen Lärm und Stille und konfrontiert/ergänzt das Instrument mit einer Sirenen/Glocken-Installation, Toy Piano, Harmonium, Tubes und Noise-Boxes. Auch die Texte sind nur ein Bestandteil des großen Ganzen und vollständig in die Komposition eingebettet, wie auch die Kategorisierungen wie Pianistin, Improvisatorin, Komponistin aufgehoben werden.

    in: Mikro Wellen
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    Nas mãos de Joana Sá, o «Elogio da Desordem» é uma anarquia ordenada para piano semi-preparado, instrumentos improvisados e palavras de Gonçalo M. Tavares.

    Poucos se lembrarão mas numa outra vida Joana Sá foi baixista de uns Pinhead Society que estavam para os anos 90 como as Pega Monstro para hoje. Havia potencial mas o excesso de entusiasmo de alguma imprensa fez ricochete.

    Quinze anos depois de «Kings of Our Size», Joana Sá é uma pianista entregue a uma linguagem erudita em que as teclas compõe parte de uma narrativa caótica submetida ao livre arbítrio da improvisação.

    «Elogio da Desordem» faz parte de um quadro maior que aceita textos de Gonçalo M. Tavares interpretados em registo de desespero urbano e uma panóplia de instrumentos adoptados como alarmes, sirenes e campaínhas.

    Ferramentas que sublinham a urgência expressionista de Joana Sá que neste monólogo para piano semi-preparado incita à inquietude sem precisar de se socorrer de soundbytes.

    in: Disco Digital by Davide Pinheiro

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    A música de Joana Sá tem sido classificada de imprevisível. Nesta sua nova edição – a segunda na Shhpuma, uma subsidiária da editora de jazz Clean Feed – Joana mantém essa imprevisibilidade. No centro de tudo está o piano, sim. Mas não é um piano qualquer. É um piano oriundo da música erudita contemporânea, mas que abraça a improvisação. Esta não é uma improvisação idiomática que possa evocar o jazz, o free jazz ou mesmo a improvisação livre. Estamos aqui perante um universo original, sem paralelo.

    Depois de “Through This Looking Glass” (2010) e “Almost a Song”, este com Luís José Martins (2012), Joana Sá regressa ao trabalho a solo. Não se trata, porém, de um solo absoluto. É Joana quem manipula quase todos os instrumentos e objectos, mas este disco conta ainda com o contributo da voz de Rosinda Costa. E Joana também usa textos de Gonçalo M. Tavares: é deles que a voz de Rosinda se serve.

    Mas é sobretudo o piano – preparado – que está no centro de tudo. A este junta-se um conjunto de estranhos objectos para formar uma sonoridade única, um universo sonoro irrepetível. Joana refere-se ao resultado como um «monólogo interior». Sem querer contrariar a autora, que conhece a sua música melhor do que ninguém, o que se ouve em “Elogio da Desordem” lembra mais um diálogo: faz perguntas e dá respostas, numa contínua interligação.

    O título pode enganar, a música não vive da desordem, assenta numa forma estruturada, embora a sua aparente imprevisibilidade o esconda, como manto de nevoeiro sonoro. Por vezes ouve-se apenas o curioso sibilar dos objectos, em outras ocasiões chega-nos o contraste do piano, através da clareza de algumas notas límpidas. Em alguns momentos ouve-se a junção, essas duas camadas sobrepostas. Pelo meio, a voz vai surgindo, quase fantasmagórica, enchendo um ambiente de alta tensão.

    Esta música agita-se, cresce, perturba, emociona. Convoca diferentes estados de alma, e fá-lo com uma permanente elegância. Para esta desordem só sobra o elogio.

    (Sobre este disco, e para além da música, refira-se ainda a qualidade do packaging e do design. Este aspecto é normalmente pouco explorado, mas no caso presente o objecto físico só por si vale a atenção.)

    in: Jazz.Pt by Nuno Catarino

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    Foi o homem que inventou a linguagem. E poderia ser esta, neste disco, o alvo principal de elogio: em primeiro lugar a linguagem falada, a palavra, a prosa de Gonçalo M. Tavares aqui explorada enquanto um som – ou enquanto vários sons, oriundos de vários textos lidos; e, em segundo, a linguagem musical muito própria de Joana Sá, anarquicamente ordenada, ao mesmo tempo selvagem e rígida, turbilhão de pensamentos vagueando pelo éter co-adjuvados por piano semi-preparado, caixas de ruídos, electrónica e amplificadores.

    Foi o homem que inventou a linguagem, uma linguagem que se aprende ainda a garganta não lhe sabe atribuir uma voz. Em Elogio Da Desordem, aprendemos não a falar mas a escutar, aprendemos a esperar pelo momento inesperado – e a filosofar sobre tudo isto -, aprendemos que a música pode tornar-se literatura e a literatura música (o booklet em que se insere este CD é um verdadeiro mimo nesse aspecto), aprendemos que a afasia existe até enquanto material sonoro. É um disco difícil; mas há que lê-lo e compreendê-lo de trás para a frente antes de efectuar quaisquer juízos de valor.

    O objectivo de Elogio Da Desordem é a liberdade e a surpresa, e consegue-o de forma irrepreensível – em momentos a liberdade é terna, captamos uma melodia agradável ao piano, as brincadeiras em toy piano recordam-nos outros tempos; em momentos segundos assusta-nos de tão fiel a si mesma, campainhas e ruídos diversos sob o sussurro da compositora declamando. Joana Sá elogiou a desordem, nós elogiamos-lhe este trabalho – e dizemo-lo assim porque foi o homem que inventou a linguagem, mas também a simplicidade. Para ler e reler.

    in: Bodyspace by Paulo Cecílio

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    Elogio da Desordem é uma anarquia ordenada e circular em torno das palavras escritas por Gonçalo M. Tavares. Um piano semi-preparado e instrumentos improvisados são as ferramentas usadas para sublinhar a urgência expressionista de Joana Sá que neste monólogo incita à inquietude sem precisar de se socorrer de soundbytes.

    É uma exploração meticulosa e atonal em forma de caos urbano que corporiza em notas os ruídos dos carros, o trânsito parado e as tragédias na rádio. Tudo aquilo que nos pode demonizar é usado por Joana Sá para construir uma peça supra-realista e pandémica.

    in: Mesa de Mistura by Davide Pinheiro

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    This columnist has had the pleasure of covering the music of Joana Sá before. Today, another: Elogio da Desordem (In Praise of Disorder) (Shhpuma 006). It is subtitled “Interior monologue for semi-prepared piano, bells, sirens, voices and…”. And that it is. Ms. Sá is a growingly important presence on the Portuguese avant landscape. She makes music that has the momentum and spontaneity of improvised new music, yet there is a composed structural element that continually frames the music and evokes interrelated sound worlds that work together to inscribe a particular poetic state onto the moment.
    It is especially true of the suite of movements contained in the present recording. Through use of a piano whose strings have been prepared with various objects within a particular range of notes, through the use of sirens and bells that punctuate the affect of certain passages with the sound of a symbolic sort of alarum, through various amplified noises (“noise boxes”) (which come off as electronics, as that they are), through bowing and other unusual ways of sounding the piano and the appearance of a toy piano and a harmonium at times, through periodic recitation (by Rosinda Costa) of texts by Goncalo M. Tavares, a set of special moods are created, filled with vivid sound color and pianistic avant-virtuosity.

    Joana’s music has a flow to it that after hearing a few times seems unique but somehow appropriate. The music has a natural quality that is ultra-modernistic nonetheless. What strikes me in her music, especially here, is the mastery of avant techniques harnessed to a sureness of purpose that brings together aspects of the classical avant and the free-improvisatory schools. All clearly and movingly holds together as compositional.

    I am especially impressed with how this music after several hearings continually stimulates the hearer’s imagination with a master sound-painter’s expert touch and larger vision. Nothing sounds random and yet there is continuous sound-invention without much at all in the way of repetition.

    In Praise of Disorder has a monumental elocutionary eloquence to it that puts it on rarified turf. Anyone with an interest in the avant garde today should listen closely.

    in: Gapplegate by Grego Applegate Edwards

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    One One of best new discoveries of this year. A highly original Portuguese composer-pianist who weave abstract musical textures, poetic texts and images into a mesmerizing work. Check also on this label another exceptional album of Sá with guitarist Luís José Martins, Almost a Song, a collection of loose recipes that may be, and most likely may not, songs.

    in: All About Jazz NY by EYAL HAREUVENI (Best of 2013 list)

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    A celles et ceux qui furent hypnotisé(e)s par l’entêtante musique du Tabou de Miguel Gomes, on conseillera vivement cet Elogio da desordem. Parce que multi-facettes (musique de films, improvisation, concertos pour piano de Cage…), Joana Sá captive. Après l’écoute de cet enregistrement solo, nous pouvons rajouter : envoûte.

    L’univers de la pianiste portugaise est ample, infini. C’est un royaume de mélanges et de fusions. Les voix s’imbriquent. Elles chuchotent, murmurent. Le piano est anxiogène ici, éclaté ailleurs. Il sillonne la rafale, s’interrompt brusquement. Il est violence et ne s’approche que de très loin de la douceur. On pourra refuser cette tentation du brouillage. Ou s’abandonner à sa perte. Comme un cauchemar, les tensions s’amplifient, gomment le jeu de la pianiste. Ici, l’on grésille, l’on grignote et l’on abîme l’évidence. Ici, sonnettes et sirènes aiment à faire sursauter l’auditeur. Ici, le désordre se consomme large et sans prudence. Et l’on aime cela. Passionnément, intensément.

    in: Le Son du Grisli by Luc Bouquet

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