QUEST n-s

JOANA GAMA + LUIS FERNANDES // Quest

€8.90


 

JOANA GAMA . piano
LUÍS FERNANDES . electronics

01 twisted movements
02 sparks and crackles
03 from mist to nothing
04 dream
05 interlude
06 night drive
07 quest
08 let bygones be bygones
09 this frozen sea

 


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Product Description

The piano / electronics format is not a novelty, coming from John Cage associations with David Tudor and having as a notorious example the recent Alva Noto / Ryuichi Sakamoto duos. What is really surprising in this “Quest” is the combination of a classical pianist, Joana Gama, with a live processing laborer and synthesist active in the experimental fringes of pop music, Luís Fernandes. Exactly: the soul behind the ambient act The Astroboy and a founder member of the song-oriented band peixe:avião, one of the most applauded projects in a new wave of the Portuguese “indie” creativity.

The result is neither a “contemporary” nor a “chill out” recording, and it isn’t also a post-modern hybrid of both approaches, but something else. It’s not the piano, nor the electronic manipulations, which are in focus, but the multiple ways in which the piano sounds are transformed, dissected, looped and put upside down. Like if a third instrument is phantomized by the two others in presence. This description may give the idea that the pieces assembled in this CD are a series of cold, dry and abstract deconstructions, but that’s not the case: everything flows like Zen soundscapes in the inner world inside our heads, and the music has a poetic, lyrical dimension that makes us reconnect with the idea of Beauty of the Ancient Greeks.

1 review for JOANA GAMA + LUIS FERNANDES // Quest

  1. :

    There’s a passion and beautiful that emanates from this recording that made me feel like I was listening to a mixture of Mitsuko Uchida, Harold Budd and Christian Fennesz. Quest, the stunning debut from Joana Gama and Luis Fernandes is holds elements of experiementalism as well as classical introspection.

    The duo present a series of quiet yet evocative soundscapes that are both a backdrop and a window into along a beautiful journey. “Dream” (written by John Cage) is errielly performed to perfection by Gama. The addition of Fernandes atmospherics heading into the middle passages gives the piece a more transcendent feel than even the original piece.

    “Twisted Moments” and “Quest” give the listener a different perspective on the duo. Both provide haunting elements of electronics with subtle melodic tones from Gama. “Twisted Moments” with it’s killer bee swarm of effects is dazzling and probably shouldn’t be listened to outside if you are afraid of the little black and yellow flying creatures.

    While “Quest” includes all sorts of found sounds and plucking inside the piano. A creative piece that undulates in various directions all the while keeping very focus on providing a linear emotional experience.

    Quest is a solid debut from Gama and Fernandes. Both experimental and traditional with a real sense of adventure and solace that is more than just ambient sounds. I really hope they do another record together very soon. Highly Recommended.

    in: Jazz Wrap by Stephan Moore

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    The opening track, aptly titled ‘Dream’, could give the listener the impression that he or she is in for a long and meditative album of gentle romantic piano music, but then gradually the landscape changes, first with “From Mist To Nothing’ creating a strange electronic minimal soundscape, punctuated by sparse piano notes, then with “Interlude”, a short track full of distant vibrating shadows of a player piano.

    The distant, and almost deep vision into a century old nightmare, continues on “Let Bygones Be Bygones”, an eery piece that might well be used as an alternative to the soundtrack of the bar scene of the movie The Shining. “Night Drive” starts full of quiet romantic expectations, but then it evolves into a psychedelic ride of repetitive electronics, drone and carefully positioned piano chords, going into deeper darkness with ‘Quest”, when you’ve left all genres and dive into an electronic maelstrom, only to re-emerge in a strange universe of “Sparks & Crackles”, on which chime-like piano sounds collide with weird electronics.

    Before it ends, the journey goes over the first meditative then eery “This Frozen Sea”, on which the fluid piano notes have been hardened and coldened into layers of nightmarish terror, and “Twisted Movements” surprises you again with its quirky nature, its shifting atmospheres and unexpected finale.

    Clearly, this is beyond jazz, beyond rock or classical music, yet merging all of it into something new. Despite this variety, the album has an incredible coherence, and takes the listener to unexpected places.

    in: Free Jazz by Stef Gissels

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    Elle, Joana Gama, pianiste classique. Lui, Luis Fernandes, connu pour ses expérimentations électroniques sous le nom de The Astroboy. Quest, un album, 8 titres, 44 minutes .

    Expérimentale et tendue, voilà deux adjectifs qui collent bien à la musique du duo. Premièrement parce qu’il s’agit d’un échange peu courant et dont le langage reste mystérieux. Tendu ensuite de part l’équilibre entre électronique et piano. Chaque univers concède juste ce qu’il faut d’espace pour permettre à l’autre de s’exprimer mais sans pour autant s’exposer. A l’image des collaborations John Cage / David Tudor et Alva Noto / Ryuichi Sakamoto, les deux artistes portugais explorent des chemins certes nouveaux mais suffisamment éclairés pour ne pas perdre l’auditeur.

    Les expérimentations auraient pu rendre ce disque difficilement accessible. Heureusement, les paysages que Joana Gama et Luis Fernandes dépeignent ne sont pas si inconnus et font de Quest une excellente porte d’entrée pour découvrir leurs univers respectifs.

    in: Luso Sounds

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    Casamento fortuito.
    Ela, uma pianista de renome, ele, membro fundador dos peixe:avião e um Astroboy em pleno. O casamento entre Joana Gama e Luís Fernandes deu-se no mítico Theatro Circo e daí nasceu Quest, um estranho híbrido com braços electrónicos e cabeça amavelmente humana, música que vai da suavidade à tensão em poucos segundos: Gama oferece a emoção das teclas, Fernandes a exploração das mesmas através de loops ou dissecações várias. O resultado não é passível de rótulos, apenas de escutas: quarenta e quatro minutos, nove takes cinematográficos cada qual com a sua história.

    Um arranque quase-tenebroso em “Twisted Movements” dá o mote para o filme que se desenrola na nossa própria imaginação, milhões de filmes diferentes, tantos quantos aqueles que levarem à letra o aventureiro título do disco. Algo semelhante ao bater de um coração em “From Mist To Nothing”, coadjuvado pelo piano e pelas paisagens electrónicas, assume-se como o momento mais alto de Quest, que de logo dá lugar a bonita limpidez de “Dream” – quase como se este disco fosse, de facto, uma criança (e talvez o seja).

    Um pequeno e soberbo interlúdio electrónico precede “Night Drive”, antes que o tema-título se revele em todo o seu esplendor, trazendo de volta a tensão e o êxtase em partes semelhantes, evocando mestres antigos e contemporâneos da electrónica ambiental, dos Tangerine Dream aos Boards Of Canada. “Let Bygones Be Bygones” é quase espacial (Astroboy, indeed) e o disco volta à ansiedade com “This Frozen Sea”. Um disco, ou um filme, emocionantes, como os bons devem ser.

    in: Bodyspace by Paulo Cecílio

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    A primeira reacção é acharmos que este confronto é moderno, progressista, de ruptura, mas “Quest” apenas reformula o que, por exemplo, já Cage e Tudor tentaram há muito: piano e electrónica. É nesta pesadíssima herança – que no caso deles fará mais sentido que a mera referência histórica – que assentam os princípios desta dupla, encarregue de mostrarem o que tão raro se mostra por cá: electrónica ágil e inteligente em manipulação de subtis composições contemporâneas de piano. Na verdade, o que nos conquista é mesmo este equilíbrio, quase perfeito, entre os dois músicos. Quase se sente que estiveram com igual respeito por esta aventura, avançando com passos seguros e bem dados, sem nunca entrarem por nada que não soubessem descrever-nos. Há momentos lindíssimos, quase oníricos, de suspensão sonora, que soam a clássicos; há alturas em que há um gosto pelo arrojo em explorar os limites dos seus instrumentos, mesmo que isso sacrifique a paz conquistada noutros temas; e ainda há música que transpira intuição, como se navegássemos sem visão. Eles confessam que foi tudo (surpreendentemente) fácil de compor e isso prova que “Quest” é menos a aventura do que sugerem e mais um passeio que também nos convoca. Um bonito e raro passeio por estas paisagens.

    in: Flur by Pedro Santos

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    Quase como numa mesa de operações, Joana Gama inclina-se para dentro do piano e arrepanha-lhe as cordas como quem puxa tendões e nervos, desenhando uma música tensa entre o silêncio, enquanto Luís Fernandes se serve desses sons extorquidos ao piano para os processar e os devolver irreconhecíveis.

    Na mesa de electrónica de Fernandes, assistimos a tudo, a cada movimento cirúrgico, muitas vezes pouco perceptível ou difícil de traduzir nos sons que alternam entre a obsessão circular e sombria (via Satie) e a delicadeza rarefeita. O vídeo, como se verá hoje no Teatro Maria Matos, em Lisboa, existe para ajudar a balizar a abstracção, permitindo destrinçar que, apesar da aridez aparente, a música de Quest é produzida com minúcia, pensada para um efeito em que o belo se apresenta rente ao chão, sem grandes voos, obrigando a focar na simplicidade, no pormenor, na qualidade de sons que se procuram ininterruptamente.

    É música assente no encontro entre um piano de postura erudita contemporânea e uma electrónica sem medo de se confrontar e de se definir em função do piano — instrumento sóbrio, intimidatório, capaz de subjugar facilmente todas as notas em seu redor. Faz pensar naquilo que Alva Noto e Ryuichi Sakamoto têm ensaiado com notável cumplicidade. Mas o padrinho oficioso de Quest é John Cage. Chamados a apresentar-se nas celebrações do centenário do nascimento de Cage organizadas em Outubro de 2012 pelo Maria Matos (100 Cage), os dois músicos bracarenses haveriam de encontrar-se na sequência de um primeiro momento de estranheza experimentado pela pianista ao ler o descritivo colocado junto à instalação 33^4 — 1185921 possibilidades para 4 altifalantes: “Luís Fernandes, Braga”. “Mas como é que pode haver um músico em Braga que gosta de John Cage e eu não sei quem é?”. Não é presunção de Gama. Cage não costuma escapar-se muitas vezes para lá das habituais salas do Conservatório Calouste Gulbenkian da cidade. Com amigos em comum, encontraram-se, pouco depois, para discutir uma eventual colaboração entre a associação dela e o festival dele. E no final da conversa, em frente ao Theatro Circo, já em jeito de despedida, pensaram no que aconteceria se a música de um tomasse de assalto a do outro.

    Antes que a ideia pousasse naquele lugar onde elas se amontoam e definham lentamente, Luís (membro dos Peixe:Avião e Astroboy na sua vida electrónica solitária) não demorou a dar carne e corpo concreto a uma possibilidade ainda embrionária. Pensando que o Theatro Circo poderia ser o espaço ideal para testar a parceria, dispondo de piano e condições acústicas para a exploração sonora corresponder às necessidades do duo, avançaram com uma proposta: em troca dessa cedência laboratorial, comprometiam-se a pagar a sua estada com um concerto. A direcção aceitou sem ouvir uma única nota e empurrou os dois para o projecto Quest, um conjunto de oito temas próprios e uma interpretação de Dream, peça de Cage em que ela segue a partitura e ele inventa um rasto para as notas. Embora a pianista não estivesse ainda a pensar num lançamento, na cabeça de Luís (também membro da editora Pad) estava já a fervilhar a consumação do encontro. “Quando me meto numa coisa destas não é para experimentar por experimentar”, garante, “mas para levar até algum lado. E tive sempre a ideia de gravar. Nem que fosse para ficarmos com material a trabalhar posteriormente.”

    A primeira autoria

    Assim, enquanto ensaiavam e compunham a música para o espectáculo no Theatro Circo, gravavam todas as sessões, documentando o processo ao mesmo tempo que percebiam os caminhos que naturalmente se desenhavam à frente dos dois. E há de tudo — da fantasmagoria com que arranca o disco em Twisted movements à chuva de notas crepitosas do piano no inebriante Sparks and crackles e aos círculos desenhados pelas mãos de Joana Gama através de motivos melódicos simples e que se desenrolam sobre os mantos de Luís Fernandes, próximos de batimentos cardíacos e de ventos pesados, nocturnos. Enquanto criavam este mundo, tocante na sua construção em torno do silêncio, Joana resistia ainda a acreditar que daqui pudesse nascer um álbum. “Foi a primeira vez que fiz uma coisa autoral”, confessa, acrescentando que há escassas semanas se inscreveu na Sociedade Portuguesa de Autores, uma vez que a sua prática era, até agora, a interpretação de música escrita, com predilecção por autores contemporâneos, fora do cânone, menos desgastados por tanto dedo nas suas obras. “Tenho feito várias coisas fora da música clássica com dança e teatro, umas musiquinhas com amigos, mas nunca tinha feito algo do nada. Tinha um bocado de receio do que podia sair, mas estava bem acompanhada.” “A Joana vem de um campo mais clássico, não lhe faz tanto sentido compor”, contrapõe Luís. “Talvez eu, pelo contrário, banalize isso.”

    Para o encontro foi determinante a curiosidade natural pelo universo alheio. Luís confessa ter em Arvo Pärt e Steve Reich, por exemplo, autores de referência. “Mas tenho mais curiosidade até em ler sobre eles porque gosto de perceber como a música evoluiu no século XX, na área da composição, e porque gosto de dar mais fundamento às coisas que componho”, acrescenta. Joana deixa-se com frequência seduzir pela relação da música com outras disciplinas — trabalhou com o Útero, com a coreógrafa Tânia Carvalho e com o realizador João Botelho. A partir daí, estipularam apenas uma regra: “fugir do Noto/ akamoto”. Porque são fãs o suficiente da dupla para recear seguir por atalhos e não à descoberta dos seus próprios trilhos.

    Depois desse enunciado simples, a música desenrolou-se sem atropelos nem grandes conversas e só emperrou no momento de baptizar os temas: alguns futebolistas do Benfica — Neno, Poborsky, etc. — foram títulos provisórios. Aos poucos, com o projecto a buscar no padrinho John Cage o nome Quest, estabelecendo o perímetro exploratório da sua criação, tudo foi ganhando um sentido para lá dos futebóis e fixou-se uma linguagem de deslumbrantes possibilidades. Tanto que, numa recente visita a Nova Iorque, Joana deu por si a gravar o som de umas escadas rolantes em Brooklyn e a pensar na música que ali se prenunciava. Não admira — muito em Quest segue este mesmo movimento de loop, em que o fim se confunde com o início.

    in: Público by Gonçalo Frota

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    Um piano e electrónica . O piano de Joana Gama, artista de vertentes mais eruditas e a electrónica de Luís Fernandes, senhor que conhecemos dos Astroboy ou Peixe : Avião.
    A junção pode parecer estranha. Mas não é. E também não é novidade se nos lembrarmos de John Cage e David Tudor e Alva Noto e Ryuichi Sakamoto.
    Como não podia deixar de ser a experimentação está muito presente em “Quest”. As coisas não são lineares. Os dois artistas subvertem aqui conceitos. Este não é um registo erudito, nem um disco de electrónica pura. Em grande parte do disco temos sons de piano manipulados, subvertidos e em loop. Esta vontade de não querem fazer as coisas da forma mais simples torna este disco mais saboroso.
    “Quest” vai criando ao longo do seu trajecto várias tensões. É um disco que funciona na perfeição para a banda sonora de um qualquer filme de suspense que possamos imaginar na nossa cabeça.
    Como poderá por ventura parecer, devido à forma como foi criado e pelos seu lado mais digital, este registo, não é frio e distante. Tem um lado muito ambiental que em grande parte das suas 10 músicas, passa muito rente ao nosso corpo.
    “Quest” é um feliz encontro entre dois excelentes artistas, cada um na sua área, que souberam encontrar uma forma muito feliz para casar o seu talento. Tudo aqui está na doze certa, sem resvalar para campos que possam ser muito adversos ao nosso ouvido. Contudo, este não é um disco totalmente fácil. “Quest” é uma obra que se desbrava com puro prazer.
    E apesar de ser um registro que aparece assinado pelo nome de cada um dos que nele participa, o disco ganha pontos porque ele funciona como se fosse um duo a criar cada uma das canções. Ninguém aqui brilha mais que ninguém.
    Agora, o importante é entrar dentro de “Quest” sobrevoar o seu som e no fim aterrar suavemente deste voo. E atenção, que viagens destas são para repetir, quantas mais vezes melhor.

    in: Santos da Casa by Nuno Ávila

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    á coisas quase inexplicáveis. Só explicáveis pela força que a música, pela força que aquela harmoniosa – ou não – combinação de sons, exerce sobre nós. E nem os dias são todos iguais. Há dias em que tal força nos trespassa como se fossemos seres vazios, já noutros, parecemos sacos de encher cambaleando pela força de tais sopapos sonoros. Hoje, é um destes dias.

    Desembrulhada a peça, de título “Quest”, a surpresa foi grande. Não tanto pela sua extrema originalidade, já se sabe que combinar piano e electrónica não é algo de tão novo, mas sim pela magnitude e extremo bom gosto dessa combinação. O facto é que o piano de Joana Gama aliado à electrónica de Luís Fernandes, músico de The Astroboy e Palmer Eldricht, mas também de peixe : avião, nos oferecem um disco subtil, mas de uma forte e palpitante carga quimérica. É fechar os olhos e seguir as ondas da imaginação, da imaginação e do sonho. Mas mais extraordinário, é a forma equilibrada como o piano e a electrónica nos guiam nessa aventura; sem exageros de estilo; sem atropelos; sem fraquezas. São fantásticas paisagens electroacústicas.

    in: A Trompa by Rui Dinis

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